Junior e o peru de natal
Ah! o natal! Quem nao gosta daquele clima de final de ano, festas, ferias se aproximando, o calor comecando a nos aquecer a alma, a familia reunida. E em 97 nao foi diferente. Ou poderia nao ter sido.. hehe
Meu pai, animado e bem disposto, pos-se entao a preparar o grande (realmente, era enorme) CHESTER da familia. Uma criatura medonha, pesava algo em torno de 5kg (nao tenho muita certeza) que, com o recheio ao final, tinha seu peso levemente aumentado.
E tudo corria muito bem.. bem demais.
Era vespera, final de tarde, todos na casa trabalhando para arrumar as malas no carro, fazendo checagens de ultima hora, e meu pai, todo orgulhoso, exibindo o maldito chester e sua farofa insuperavel (todo ano eh insuperavel). Seria um sucesso em arroio grande, sem duvida!
- Junior!! vem ca guri!!!- gritou o pai da cozinha.
- Que foi pai?- veio junior, trazendo o sono, a ma vontade e a falta-de-saco, tao costumeiros de sua pessoa, estampados em seu semblante.
- Oh, seguinte, tas vendo essas duas sacolas?- gesticulou na direcao de dois sacos,
iguais, postos sobre a pia da cozinha.
- Ah.. to pai, to vendo.- evidenciando novamente que ver TV era certamente o que ele preferia estar fazendo.
- Ta, entao presta atencao- disse o pai, com olhar apreensivo-. Nessa aqui tem o
meu peru, e nessa outra, o lixo. O que eu quero que tu faca eh simples: lixo no lixo, peru no carro. Certo?- Manteve o olhar apreensivo, esperando ver a reacao de seu varao, receptaculo de seu patrio orgulho, detentor de seu proprio nome, o primogenito da casa.
- Ta pai, que saco tche, me da logo essa bodega!- disse junior.
Acredito ser nesse ponto que tem inicio a dramatica historia de "junior e o peru de natal"
Durante a viagem de Pelotas para Arroio Grande, noite.
- Beco, tu ta sentindo esse cheiro?- perguntou a mae ao pai.
- Nao, que cheiro?- Disse, apos um curto periodo tentando perceber algum odor diferente.
- Nao fui eu!- veio em unissono dos tres filhos sentados atras.
- Parece cheiro de merda, nao sei...- ponderou a mae.
- Deve ser da rua!- garantiu o alegre pai.
Chegada em Arroio Grande apos uma viagem curta, uma hora e pouco, sempre acompanhada de um estranho odor de... merda?
Como sempre a chegada foi acompanhada da tradicional comocao familiar, com a qual estamos tao acostumados: abracos, beijos, brincadeirinhas e piadinhas, e todos estavam felizes como era de se esperar!
- Junior! me ajuda a descarregar o carro, vagabundo- disse o pai brincalhao.
- Ta bom! ta bom! que saco..- praguejou junior.
- Aqui, toma. Coloca o peru na cozinha da vo. Bah, ela vai adorar, hein hein? - disse Beco em tom de orgulho inabalavel.
inabalavel..
- Coisa bem fedorenta esse teu peru pai, credo..- disse junior, enquanto retorcia o rosto em uma careta realmente obtusa.
- Nao fala bobagem, guri! Isso eh coisa da boa! So gente fina come isso!!!- e um sorriso cortava-lhe o rosto de um extremo ao outro.
E la ia o junior pelo corredor da antiga casa carregando o precioso item, bem proximo ao corpo com medo de deixar cair devido ao peso, afinal de contas, nao queria tropecar e por tudo aperder, logico. Logo atras vinham seu pai, tios, irmaos, e na frente, na porta da cozinha, encontrava-se a luiza, peculiar figura que ocupa ja posicao de Segunda Matriarca da Familia Floor junto da vo, com um enorme sorriso esperando por um abraco e para ajudar a pegar o peru.
Apos alguns momentos junior saiu ate a sala. Ouviu algum mormurinho, um certo agito, e.. um grito.. dois gritos.. e um nome:
-JUNIOR!!!!! O MEU PERU!!!!!!!
Ahn.. pois e.. mas as sacolas eram tao parecidas...
E vejam bem: o espirito natalino prevalece!! neh????
(^-^)b