
Fórmula do terror
Dentre os assuntos mais discutidos atualmente em todo e qualquer lugar, terrorismo ocupa um lugar de honra. Principalmente depois do famigerado 11 de setembro. Em fóruns de discussão virtuais, jornais, livros, programas de TV e o cacete, todos opinam sobre o fenômeno e não se chega realmente a um consenso sobre como definir terrorismo. Nesse turbilhão de informações sobre o que é e o que não é terror, lancei minha própria fórmula particular para determinar eventos e atos como terroristas ou não. É bem simples:
são atos tipicamente militares contra alvos civis com fins políticos. Independente se praticados por governos liberais, grupos clandestinos ou Estados totalitários. Obviamente deve existir dolo no ato. Contrapõe o fato em questão com a fórmula e vê no que dá.
É curioso, mas essa minha noção de terrorismo é compartilhada, mesmo que intuitivamente, com pessoas da minha geração mas não com de gerações passadas. Basta voltar pouco mais de sessenta anos no passado e constatar a afirmação. Durante a Segunda Grande Guerra o ato de bombardear zonas urbanas densamente povoadas era estrategicamente aceitável. Hiroshima, Nagasaki, Dresden e Tóquio talvez sejam os exemplos mais conhecidos disso. Através do massacre deliberado e indiscriminado de civis visava-se uma conquista política, no caso a rendição. Não foi considerado crime, e mesmo atualmente intelectuais do mundo inteiro advogam que foi necessário para encerrar a guerra. Não vou entrar no mérito, só queria expor uma evidente mudança na concepção de crimes de guerra e terrorismo. Atualmente é impensável um líder qualquer praticar “
Carpet Bombing" em seu inimigo e acreditar que sairá impune.
Ando meio por fora sobre como andam as coisas no Oriente Médio atualmente, mas li qualquer coisa sobre o Estado de Israel estar investigando eventuais excessos cometidos por sua própria campanha militar. Se necessário for, e se provas forem levantadas, (ir)responsáveis serão punidos. Louvável! A isso se chama civilização. O número de baixas (mortes) totais de toda a campanha foram contadas em pouco mais de mil pessoas, cuja maioria esmagadora era de combatentes. Com todo respeito para com as vítimas inocentes e suas famílias, isso é uma conquista da guerra civilizada e moderna. Qualquer um que tenha lido sobre história militar sabe o que quero dizer.
Enfim, o que me levou a escrever sobre o tema foi uma interessante
notícia da folha sobre a intenção do PT em tipificar legalmente
ato terrorista. Tarefa inglória, essa! Até onde sei não existe uma convenção definitiva sobre tão polêmico assunto em lugar nenhum! Segundo a matéria, a tipificação é uma das medidas do programa de segurança pública do Apedeuta para continuação de seu (des)governo. Mesmo na Lei de Segurança Nacional já existe menção a terrorismo: “praticar atentado pessoal ou
atos de terrorismo, por
inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de
organizações políticas clandestinas ou subversivas”. A tipificação determinaria definitivamente o que é ato terrorista.
Sinceramente não acho a idéia de todo ruim, é uma forma de apertar e endurecer com a vagabundagem- coisa que já deviam estar fazendo há muito tempo. Meu temor se justifica na polêmica gerada dentro do próprio PT: “
Uma ala teme que a definição possa ser usada contra entidades como o MST ou sindicatos”. Tentarão definir terrorismo de forma que o MST não seja de modo algum incluído. Ou que os bravos assaltantes de bancos e seqüestradores dos anos sessenta não percam suas milhonárias indenizações e pensões. Quem viver, verá:
terrorismo, no Brasil, não vai prever fins políticos ou ideológicos.
Imagem: o rabo preso compromete..